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- Estrutura das palavras: Elementos mórficos ou morfemas - UOL Educaçãoeducacao.uol.com.br
- Flexões verbais: tempo, modo, pessoa, número e voz - Brasil Escolabrasilescola.uol.com.br
Olá! Na aula anterior, você examinou como uma expressão pode ser empregada denotativa ou conotativamente e como essa escolha afeta o sentido de um pronunciamento. Agora, o foco passa a outras informações que o enunciado transmite: quem participa de um acontecimento, quando ele é situado, como é apresentado e que papel cada participante desempenha.
Ao final desta aula, você deverá conseguir classificar gênero, número, pessoa, tempo, modo, aspecto e papéis semânticos sem confundir três planos diferentes: a forma das palavras, a interpretação do acontecimento e as funções dos participantes. Essa separação é especialmente útil em itens de reescrita do Cebraspe: duas frases podem tratar do mesmo fato, mas atribuir responsabilidades diferentes ou apresentar uma ação como concluída, habitual ou apenas possível. Reserve cerca de 40 minutos.
Visão geral: o que se classifica em um enunciado?
Considere a frase:
A assessora encaminhava as propostas à comissão.
Há informações distribuídas por partes distintas da frase. Assessora está no feminino singular; propostas, no feminino plural. A forma verbal encaminhava está na terceira pessoa do singular, no pretérito imperfeito do indicativo. Dependendo do contexto, apresenta o encaminhamento como atividade em curso naquele momento passado ou como prática habitual. Quanto aos papéis semânticos, a assessora é quem encaminha, as propostas são aquilo que é encaminhado e a comissão é o destinatário.
Não se trata de dar sete nomes à mesma propriedade. Número pode caracterizar um nome ou um verbo; tempo situa o acontecimento; aspecto mostra como observamos seu desenvolvimento; papéis semânticos descrevem a participação das entidades no acontecimento. Vamos separar esses planos antes de reuni-los novamente.
Gênero e número: forma gramatical não é descrição do mundo
Na gramática do português, substantivos e outros termos nominais podem apresentar gênero masculino ou feminino e número singular ou plural. Em as propostas revisadas, o substantivo está no feminino plural, e o artigo e o adjetivo acompanham essa classificação. Em o parecer revisado, o conjunto está no masculino singular.
A imagem “Desinências”, do Brasil Escola, oferece um primeiro mapa das marcas de flexão. Observe nela a distinção entre marcas nominais, ligadas a gênero e número, e marcas verbais, ligadas a tempo, modo, pessoa e número.

A imagem é um ponto de partida, não uma regra para identificar toda terminação. Em menina, o contraste menino/menina permite reconhecer uma marca associada ao gênero; em mesa, o -a final não transforma a palavra em “versão feminina” de outra. Tampouco a terminação -a torna necessariamente feminino um substantivo: dizemos o problema. A análise precisa considerar o comportamento da palavra na língua, não apenas sua última letra.
Leia o trecho indicado de Estrutura das palavras: Elementos mórficos ou morfemas, de Patrícia Cordeiro Sbrogio, publicado no UOL Educação. Ele fornece um exemplo compacto de como diferentes marcas podem coexistir numa palavra.
Estrutura das palavras: Elementos mórficos ou morfemas - UOL Educação
Leia os exemplos de desinências nominais e verbais para reconhecer que uma terminação pode carregar informações gramaticais diferentes conforme a classe da palavra.
Na lista “Os morfemas que constituem as palavras”, comece no item “Desinências”, na frase que explica que esses elementos indicam flexões. Leia os exemplos até a análise de “falávamos”, passando pelo quadro de “meninas”. Em seguida, observe o item “Vogais temáticas” e a nota ao seu final: nem toda vogal final deve ser interpretada como marca de gênero. Concentre-se na diferença entre identificar uma categoria e supor que ela sempre tem uma marca isolável e evidente.
Gênero gramatical não equivale a sexo ou identidade da pessoa designada. A testemunha é um substantivo gramaticalmente feminino mesmo quando designa um homem. Já o estudante e a estudante mantêm a mesma forma do substantivo; o determinante indica o gênero da expressão. Para interpretar um item, pergunte primeiro qual é o gênero da expressão, e só depois — se isso for pertinente — o que o contexto informa sobre a pessoa referida.
Número gramatical também não é uma contagem direta de indivíduos. A comissão decidiu traz sujeito e verbo no singular, embora uma comissão reúna várias pessoas. As comissões decidiram traz ambos no plural porque agora se fala de mais de uma comissão. Essa distinção entre forma singular e referência coletiva impede uma inferência frequente: não se pode justificar um verbo no plural apenas porque o sujeito singular designa um grupo.
Pessoa, tempo e modo: localizar e apresentar o acontecimento
A pessoa gramatical relaciona a forma verbal aos participantes do discurso. A primeira pessoa corresponde a quem fala (eu, nós); a segunda, a quem se fala (tu, vós); a terceira, à entidade de que se fala (ele, ela, a comissão). Em revisamos o texto, o verbo está na primeira pessoa do plural; em a comissão revisa o texto, na terceira pessoa do singular.
Há uma distinção importante para a linguagem institucional: você se dirige ao interlocutor, mas exige verbo na terceira pessoa gramatical: você revisa, não você revisas. O mesmo princípio vale para Vossa Excelência apresenta. Portanto, “pessoa a quem se dirige a fala” e “pessoa em que o verbo se flexiona” não são sempre a mesma classificação.
Assista aos trechos de Flexão Verbal — Número, Pessoa, Modo, Tempo — Aula 02, do canal Português On-line, com a Profa. Aline. Use a apresentação das flexões como base; logo depois, refinaremos algumas simplificações necessárias para questões de interpretação.
Flexão Verbal - Número, Pessoa, Modo, Tempo - Aula 02
O vídeo apresenta as flexões de número, pessoa, tempo e modo por meio de formas verbais comparáveis. Assista para fixar o procedimento de identificar cada categoria separadamente.
Em pessoa e número, acompanhe o contraste entre as formas de “estudar” e observe a nota sobre “você”. Em tempo verbal, identifique presente, pretérito e futuro. Termine com modos verbais, distinguindo indicativo, subjuntivo e imperativo. Guarde os exemplos, mas evite transformar “indicativo = fato comprovado” em regra absoluta.
O tempo verbal situa o acontecimento em relação a um ponto de referência. Compare:
- A comissão revisa o texto: presente do indicativo.
- A comissão revisou o texto: pretérito perfeito do indicativo.
- A comissão revisava o texto: pretérito imperfeito do indicativo.
- A comissão revisará o texto: futuro do presente do indicativo.
O nome do tempo classifica a forma verbal; o contexto determina sua interpretação mais precisa. Em “A comissão se reúne amanhã”, reúne continua sendo presente do indicativo, embora o acontecimento seja situado no futuro por amanhã. Inversamente, não basta ver uma terminação e concluir sozinho quando ocorreu o fato: “Hoje, falamos sobre o parecer” e “Ontem, falamos sobre o parecer” usam a mesma forma falamos, que pode corresponder ao presente ou ao pretérito perfeito do indicativo, conforme o contexto.
O modo verbal diz respeito à maneira como o enunciador apresenta o conteúdo:
| Forma no enunciado | Classificação | Leitura favorecida |
|---|---|---|
| A comissão revisa a proposta. | Indicativo | A revisão é apresentada como ocorrência, prática ou fato enunciado. |
| É necessário que a comissão revise a proposta. | Subjuntivo | A revisão integra um conteúdo cuja realização é posta como necessária, não afirmada nessa oração como fato ocorrido. |
| Revise a proposta. | Imperativo | O enunciado dirige uma solicitação ou instrução ao interlocutor. |
O indicativo não certifica a verdade do que foi dito; ele caracteriza a forma de apresentação do conteúdo. Uma afirmação no indicativo pode estar equivocada. O subjuntivo, por sua vez, não significa simplesmente “dúvida”: aparece também em construções de desejo, exigência e hipótese. E o imperativo pode realizar pedido ou orientação, não apenas ordem.
A classificação formal também evita outra armadilha: em “A comissão revisaria o texto se houvesse tempo”, revisaria é futuro do pretérito do indicativo, ainda que participe de uma hipótese; houvesse é pretérito imperfeito do subjuntivo. Chamar ambos de subjuntivo porque a frase é hipotética confunde a interpretação da frase inteira com a classificação de cada verbo. Em “A equipe informou que revisaria o texto no dia seguinte”, o futuro do pretérito pode ainda situar uma ação como posterior a um ponto de referência passado; a frase, por si só, não comprova que a revisão ocorreu.
Aspecto: ver o acontecimento por dentro
Se o tempo ajuda a situar quando, o aspecto ajuda a perceber como o acontecimento se desenrola ou é apresentado em sua duração. Compare três registros sobre uma revisão:
A equipe revisou o relatório.
A equipe revisava o relatório quando a sessão começou.
A equipe revisava relatórios todas as manhãs.
No primeiro, o pretérito perfeito apresenta a revisão como evento considerado em sua totalidade. No segundo, revisava apresenta uma atividade em curso no momento em que outro evento começou. No terceiro, a mesma forma revisava, com todas as manhãs, favorece leitura habitual. Portanto, a forma verbal contribui para o aspecto, mas os demais elementos do enunciado também importam.
Outras construções tornam a leitura aspectual mais explícita: “está revisando” focaliza o desenvolvimento da atividade; “passou a revisar” focaliza seu início; “terminou de revisar” focaliza seu término. Essas expressões não mudam apenas a data de uma revisão: mudam o recorte do processo. É por isso que substituir estava revisando por revisou pode alterar uma transcrição, mesmo quando sujeito e objeto permanecem idênticos.
Cuidado com conclusões excessivas. “A equipe revisava o relatório”, sem mais contexto, não informa se ela terminou. “A equipe revisou o relatório” apresenta a revisão como evento completo, mas não implica que o relatório tenha sido aprovado. Revisar e aprovar são acontecimentos distintos.
Papéis semânticos: quem fez o quê, com quem e para quem?
Até aqui, classificamos sobretudo propriedades de palavras e formas verbais. Os papéis semânticos pertencem à relação entre o acontecimento expresso pelo verbo e seus participantes. Em uma primeira análise de “A assessoria enviou a minuta à comissão”, podemos identificar:
- agente: a assessoria, responsável pelo envio;
- tema: a minuta, aquilo que foi enviado;
- destinatário: a comissão, a quem a minuta foi enviada.
Outros papéis frequentes são o paciente — entidade afetada por uma ação —, o experienciador — quem sente ou percebe algo —, o instrumento ou meio — aquilo de que se faz uso — e a causa — aquilo que desencadeia um evento sem necessariamente agir com intenção. Os nomes dos papéis podem variar conforme a abordagem linguística; em prova, o essencial é justificar a relação semântica efetivamente expressa.
Veja como o verbo e a construção mudam essa distribuição:
A equipe alterou a minuta.
A minuta foi alterada pela equipe.
Em ambas, a equipe é o participante responsável pela alteração, e a minuta é o elemento alterado. Mas, na segunda frase, a minuta é o sujeito gramatical. Logo, sujeito não é sinônimo de agente. A passagem para a voz passiva modifica a organização sintática, não inverte quem alterou o quê.
O mesmo cuidado vale para sujeitos de verbos diferentes. Em “A comissão recebeu a minuta”, a comissão é sujeito, mas desempenha o papel de destinatário ou recebedor; não é agente de um envio que a frase sequer menciona. Em “Os servidores temem o atraso”, os servidores são experienciadores do temor. E, em “A queda de energia interrompeu a sessão”, a queda de energia funciona como causa, não como agente intencional.
Para classificar um papel semântico, formule uma pergunta ajustada ao verbo: quem realizou ou provocou o acontecimento? O que foi afetado ou deslocado? Quem recebeu algo? Quem sentiu ou percebeu? Depois confira se a resposta está expressa no enunciado. Não invente um agente para uma frase que não o identifica.
Pegadinhas de classificação e aplicação ao registro parlamentar
Reúna agora as distinções em uma única frase:
Se as comissões tivessem recebido as minutas, a assessoria estaria revisando os documentos.
Em as comissões, há feminino plural; em a assessoria, feminino singular. Tivessem recebido traz verbo auxiliar na terceira pessoa do plural, no pretérito imperfeito do subjuntivo, em construção hipotética. Estaria revisando traz auxiliar na terceira pessoa do singular, no futuro do pretérito do indicativo, e focaliza uma revisão em desenvolvimento na situação imaginada. As comissões são recebedoras das minutas; a assessoria é quem realizaria a revisão; os documentos são aquilo que seria revisado.
Essa leitura por camadas protege a fidelidade de um registro. Reescrever a frase como “As comissões receberam as minutas, e a assessoria revisou os documentos” não é mera simplificação: a hipótese virou afirmação de ocorrência, e uma atividade apresentada em desenvolvimento passou a ser apresentada como evento completo. Em Registro e Redação, preservar as palavras principais não basta quando se alteram modo, aspecto ou atribuição de papéis.
Eis o esquema para consultas rápidas:
| Categoria | Pergunta de análise | Alerta de prova |
|---|---|---|
| Gênero | A expressão nominal é masculina ou feminina? | Não deduza sexo da pessoa nem gênero apenas da letra final. |
| Número | A forma é singular ou plural? | Um nome coletivo singular pode designar muitas pessoas. |
| Pessoa | Em que pessoa gramatical está o verbo? | Você se refere ao interlocutor, mas pede terceira pessoa verbal. |
| Tempo | Qual é o tempo da forma verbal? Como o contexto situa o evento? | Tempo morfológico e data interpretada não coincidem sempre. |
| Modo | O conteúdo é afirmado, apresentado em construção hipotética ou dirigido como solicitação? | Hipótese no enunciado não transforma revisaria em subjuntivo. |
| Aspecto | O evento é visto como totalidade, em curso, habitual, iniciado ou terminado? | O imperfeito não autoriza, sozinho, concluir que houve término. |
| Papel semântico | O que cada participante faz, sofre, recebe ou experimenta? | Sujeito gramatical não é necessariamente agente. |
Fechamento
Classificar um enunciado exige manter separadas as marcas gramaticais — como gênero, número, pessoa, tempo e modo —, o recorte aspectual do acontecimento e os papéis desempenhados pelos participantes. A forma verbal e a construção fornecem pistas, mas o contexto decide entre leituras possíveis e limita o que se pode afirmar. Para o Cebraspe e para o registro parlamentar, o teste decisivo de uma reescrita é verificar não só de que se fala, mas também se alguém passou a fazer, receber, experimentar ou concluir algo que o original não dizia.
Na próxima aula, a análise se deslocará para o interior das palavras: grupos vocálicos, estrutura e processos de formação, aprofundando a distinção entre marcas de flexão e elementos que formam novos vocábulos.