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Grupos Vocálicos e Formação de Palavras

Olá! Na aula anterior, você classificou marcas de flexão e observou que uma mudança de forma pode alterar a interpretação de um enunciado. Agora vamos olhar para dentro das palavras, mas em dois planos diferentes: os sons vocálicos que se encontram em uma sílaba ou entre sílabas e os elementos que compõem ou criam vocábulos.

O objetivo é analisar grupos vocálicos, estrutura e processos de formação de palavras com a precisão exigida em itens do Cebraspe. Uma sequência de letras não determina, sozinha, a classificação de um encontro vocálico; do mesmo modo, identificar um prefixo não basta para explicar como uma palavra inteira se formou. Reserve cerca de 40 a 45 minutos, incluindo os recursos indicados.


Grupos vocálicos: primeiro, ouça e divida em sílabas

Um encontro vocálico envolve sons vocálicos próximos na palavra. Para classificá-lo, é preciso distinguir a vogal, que constitui o núcleo da sílaba, da semivogal, pronunciada junto desse núcleo sem formar outra sílaba. A pergunta decisiva não é apenas «quais letras aparecem lado a lado?», mas «esses sons permanecem na mesma sílaba?».

Leia as explicações de Encontro vocálico: o que é, ditongo, tritongo, hiato, do portal Português. Elas oferecem as distinções sonoras e silábicas que usaremos nos exemplos de prova.

Encontro vocálico: o que é, ditongo, tritongo, hiato - Português

Leia as definições e confira a divisão silábica dos exemplos; ela é mais importante do que contar letras.

Na seção “O que é encontro vocálico?”, comece pelo parágrafo que define o encontro como sequência de sons vocálicos. Continue por “Ditongo”, “Ditongo crescente e ditongo decrescente” e “Ditongo oral e ditongo nasal”, acompanhando as classificações. Na subseção “Tritongo”, leia a formação e os exemplos. Por fim, em “Hiato”, parta da definição que diz que as vogais ficam em sílabas separadas, leia a explicação e confira a “Tabela de encontros vocálicos” imediatamente abaixo.

O quadro pode ser resumido assim:

Encontro Organização dos sons Exemplo e divisão silábica
Ditongo Vogal e semivogal na mesma sílaba pai; lei-te
Tritongo Semivogal, vogal e semivogal na mesma sílaba U-ru-guai
Hiato Duas vogais em sílabas diferentes sa-í-da; po-e-ta

Em pai, o a é o núcleo vocálico e o i funciona como semivogal: há um ditongo decrescente, pois o núcleo vem antes da semivogal. Em água (á-gua), na divisão usual apresentada em gramáticas escolares, ua forma ditongo crescente: a semivogal precede a vogal. Essas designações descrevem a ordem dos sons, não uma mudança de volume ao longo da palavra.

Outra classificação diz respeito à passagem do ar. Céu contém ditongo oral; pão, ditongo nasal. A nasalidade não exige til na escrita: a terminação de falam, por exemplo, pode representar um ditongo nasal. É uma armadilha tomar um sinal gráfico como definição do fenômeno sonoro.

No tritongo de Uruguai, os sons representados por uai integram uma só sílaba. Já em saída (sa-í-da) e juiz (ju-iz), as vogais adjacentes pertencem a sílabas distintas: ocorre hiato. Compare ainda quero e quadro: em quero, o u não é pronunciado como som vocálico independente; em quadro, ele é pronunciado. Letras escritas iguais podem ter funções sonoras diferentes conforme a palavra.

A imagem “Encontro vocálico” permite conferir visualmente as três categorias e as classificações dos ditongos.

Quadro dos encontros vocálicos em português: ditongos e tritongos mantêm os sons na mesma sílaba; no hiato, as vogais ficam em sílabas diferentes.

Estrutura da palavra: o que cada parte faz?

A análise sonora não deve ser confundida com a análise morfológica. Em saída, separamos sílabas para reconhecer o hiato; em infeliz, identificamos componentes com funções na formação do vocábulo. A primeira operação pergunta pelos sons e sílabas; a segunda, pelos morfemas — unidades que contribuem para o significado lexical ou gramatical.

Leia agora a seção “Estrutura das palavras” de Estrutura e formação de palavras, do Brasil Escola. Ela apresenta os componentes necessários para distinguir flexão de formação de novas palavras.

Estrutura e formação de palavras: exemplo, exercício - Brasil Escola

Leia a apresentação dos elementos da palavra para identificar a função de cada parte, sem tentar decompor mecanicamente todo vocábulo que encontrar.

Em “Estrutura das palavras”, comece pelo exemplo com sol, solar e insolação. Prossiga pelas subseções “Raiz e radical”, “Afixos”, “Desinências”, “Vogal temática” e “Vogais e consoantes de ligação”, no trecho que vai de estrutura a ligações. Ao ler, dê prioridade à função de cada elemento; a análise exata de palavras mais complexas pode variar conforme a abordagem gramatical.

O radical fornece a base lexical reconhecível em uma família de palavras: flor, florista, florido. Em uma distinção mais estrita, raiz remete ao elemento considerado em perspectiva histórica; radical, à base tomada para a análise da palavra no funcionamento atual da língua. Em análises escolares, os termos às vezes aparecem como equivalentes. Se a questão opuser expressamente as duas perspectivas, essa diferença importa.

Os afixos participam da criação de vocábulos: um prefixo aparece antes da base (in-feliz), e um sufixo, depois (feliz-mente). No primeiro exemplo, a adição altera o sentido; no segundo, feliz é adjetivo e felizmente funciona como advérbio. Desinências, diferentemente, exprimem flexão. Em meninas, podemos reconhecer menin- como base, -a como marca de feminino nessa oposição e -s como marca de plural. Na aula anterior, você viu a consequência interpretativa dessas marcas; aqui interessa notar que passar de menina a meninas não cria um novo vocábulo pelo mesmo processo que forma infeliz a partir de feliz.

Nos verbos, a vogal temática integra o tema e permite identificar a conjugação: fal-a-r, vend-e-r, part-i-r. Em falávamos, uma análise escolar identifica a base fal-, a vogal temática -á-, a marca -va- associada ao pretérito imperfeito do indicativo e -mos, associado à primeira pessoa do plural. Isso liga a estrutura interna da palavra às categorias verbais já estudadas, sem transformar a flexão em um novo processo de derivação.

Há também elementos de ligação, usados na articulação entre partes de certas palavras. Sua presença não deve ser confundida automaticamente com a de uma vogal temática ou de um sufixo: a classificação depende da função que o elemento desempenha naquela formação.


Derivação: alterar uma base para formar outra palavra

Com os componentes identificados, podemos perguntar como uma palavra foi formada. A derivação parte de uma base e produz outro vocábulo, frequentemente por meio de afixos. Os casos mais diretos são feliz → infeliz (prefixal) e feliz → felizmente (sufixal).

Assista ao trecho indicado de Estrutura e formação de palavras, de Pablo Jamilk. Ele compara as formações com prefixo e sufixo e explicita uma distinção particularmente útil para provas: derivação prefixal e sufixal não é sinônimo de parassíntese.

ESTRUTURA E FORMAÇÃO DE PALAVRAS [Pablo Jamilk]

No vídeo “Estrutura e formação de palavras”, Pablo Jamilk contrasta formas de derivação a partir de palavras conhecidas.

Assista a tipos de derivação. Observe primeiro os exemplos prefixais e sufixais; depois, concentre-se no contraste entre infelicidade, cujos afixos admitem etapas intermediárias, e amanhecer, apresentado como caso de acréscimo conjunto. Ao acompanhar o teste de retirada de afixos, pergunte se a forma restante constitui uma palavra intermediária pertinente à formação, não apenas uma sequência de letras pronunciável.

Em infelizmente, há prefixo e sufixo, mas encontramos infeliz e felizmente. É a derivação prefixal e sufixal: as duas operações podem ser reconhecidas separadamente. Em amanhecer, a análise escolar parte de manhã e considera o acréscimo conjunto dos elementos que formam o verbo; trata-se de derivação parassintética. O critério não é contar dois afixos. É verificar se um deles, isoladamente, produz uma etapa lexical intermediária apropriada. A existência eventual de uma sequência semelhante, com outra origem ou outro sentido, não resolve sozinha a análise.

Dois processos exigem atenção adicional. Na derivação regressiva, forma-se, por exemplo, um substantivo relacionado à ação verbal: pescar e pesca. Não basta, porém, encontrar uma palavra menor dentro de outra; é preciso estabelecer uma relação de formação pertinente. Na derivação imprópria, também chamada conversão, a forma não recebe afixo: sua classe gramatical muda no uso. Em “O não do relator surpreendeu a comissão”, não funciona como substantivo, como mostram o artigo o e sua posição no enunciado. É uma diferença de funcionamento, não de letras acrescentadas.

A imagem “Processo de formação de palavras” reúne essas famílias e antecipa os processos que veremos a seguir. Use-a como mapa, não como substituto dos critérios de análise.

Esquema de processos de formação vocabular, com exemplos de derivação, composição e outros mecanismos; a classificação de cada caso depende de como seus elementos funcionam.

Composição e outros mecanismos: quando a origem não é um só radical

Na composição, associam-se duas ou mais bases lexicais. Em guarda-chuva, elas permanecem reconhecíveis sem perda relevante de sua forma: é composição por justaposição. Em planalto, tradicionalmente analisado como resultado de plano e alto, há ajuste com perda de material da primeira palavra: é composição por aglutinação. Ter hífen não define justaposição; o critério é a preservação ou alteração da estrutura dos componentes.

Leia apenas a parte sobre composição no mesmo artigo do Brasil Escola, para fixar esse contraste sem acrescentar novas classificações antes de examiná-las.

Estrutura e formação de palavras: exemplo, exercício - Brasil Escola

Retome o artigo do Brasil Escola para comparar as duas formas principais de composição.

Na seção “Quais são os processos de formação de palavras”, vá diretamente à subseção “Composição”. Leia a comparação entre justaposição, exemplificada por girassol, e aglutinação, exemplificada por planalto; termine após a explicação de plano + alto. Não é necessário ler a lista de exercícios do fim da página.

Nem toda palavra nova resulta apenas de derivação ou composição. Na redução vocabular, uma forma abreviada passa a circular como palavra, como foto por fotografia. Isso difere da abreviatura gráfica prof. por professor: esta representa convencionalmente a palavra na escrita, sem necessariamente constituir um novo vocábulo pronunciado como prof.. A distinção é relevante porque um quadro didático pode reunir ambos sob o rótulo amplo «abreviação».

Na onomatopeia, a forma procura imitar um som, como miau. Na reduplicação, há repetição de elementos, como em toc-toc. Os rótulos podem coexistir: toc-toc repete uma forma e representa um ruído. Já o hibridismo diz respeito à origem linguística distinta dos elementos combinados, como no exemplo sambódromo, formado com elementos de origens diferentes. Portanto, hibridismo descreve de onde vêm os componentes; não elimina, por si, a análise de como foram associados.


Pegadinhas de prova e aplicação ao registro

Em itens de certo ou errado, uma afirmação costuma começar com uma observação verdadeira e terminar com uma classificação indevida. Para evitá-la, faça a análise na ordem adequada ao fenômeno:

Se a questão tratar de... Verifique... Não conclua apenas por...
Encontro vocálico Sons pronunciados e divisão silábica Número de letras vocálicas lado a lado
Radical e afixos Função de cada parte na palavra Semelhança visual entre fragmentos
Flexão ou derivação Variação gramatical ou formação de vocábulo Presença de uma terminação
Parassíntese Possibilidade de etapas intermediárias pertinentes Presença simultânea de prefixo e sufixo
Composição Associação de bases e preservação de sua forma Presença ou ausência de hífen

No trabalho de registro e redação, esse cuidado tem consequências concretas. Se um pronunciamento pede “reanalisar a proposta”, o prefixo de reanalisar contribui para a ideia de nova análise; substituí-lo por “analisar a proposta” pode apagar essa informação. Se uma transcrição contém “o não da comissão”, tratar não apenas como advérbio ignora que, naquele enunciado, ele foi empregado como substantivo. E, quando a dúvida é ortográfica ou de divisão silábica, a grafia deve ser conferida à luz da pronúncia e da estrutura da sílaba, não por simples contagem de vogais.

A chave é identificar qual plano a questão está avaliando. Hiato e ditongo pertencem à organização sonora e silábica; radical, afixos e desinências pertencem à estrutura morfológica; derivação e composição explicam a formação de vocábulos. Misturar os planos produz classificações plausíveis à primeira vista, mas incorretas.


Fechamento

Você agora dispõe de três critérios centrais: dividir e ouvir para classificar encontros vocálicos; identificar a função dos morfemas para analisar a estrutura; e reconstruir a relação entre bases e formas resultantes para classificar a formação de palavras. Prefixo não é desinência, dois afixos não significam necessariamente parassíntese, e letras vocálicas próximas não constituem necessariamente ditongo.

Na próxima aula, a atenção passará das partes internas das palavras às relações entre palavras: homônimos, parônimos, cognatos e vínculos de sentido. A precisão desenvolvida aqui ajudará a não confundir semelhança de forma, origem e significado.

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