Skip to main content

Someone wanted to learn this too, so Grasp built them a personal learning path.

You can keep exploring this one or create your own

Aplicação do Teorema do Valor Intermediário na Existência de Raízes

Olá! Na lição anterior, verificamos a continuidade comparando o limite de uma função com seu valor no ponto. Agora vamos usar a continuidade em todo um intervalo para responder a uma pergunta diferente: como garantir que uma equação tem solução, mesmo sem conseguir calcular essa solução exatamente?

Ao final, você saberá escolher um intervalo, verificar as hipóteses do Teorema do Valor Intermediário e escrever uma justificativa completa para a existência de uma raiz. Também veremos o que o teorema não permite concluir.


De valores intermediários a raízes

Imagine uma função contínua em , com acima de determinada altura e abaixo dela. Para ir de um valor ao outro, a função precisa assumir a altura em algum ponto do intervalo. Esse é o conteúdo do Teorema do Valor Intermediário (TVI): se é contínua em e está entre e , existe pelo menos um tal que .

Assista à explicação gráfica e ao enunciado do teorema em O Teorema do Valor Intermediário | Cálculo 1, do canal Matemateca - Ester Velasquez. No trecho final, observe por que escolher transforma o resultado em uma garantia de raiz.

O Teorema do Valor Intermediário | Cálculo 1

Em O Teorema do Valor Intermediário | Cálculo 1, a Matemateca - Ester Velasquez apresenta primeiro a ideia geométrica, depois as hipóteses do teorema e sua aplicação a raízes.

Acompanhe o gráfico e identifique o valor intermediário no eixo vertical. Em o enunciado, distinga a hipótese de continuidade da conclusão sobre a existência de um ponto. Por fim, em a raiz, note o que muda quando o valor escolhido é zero.

A figura representa o caso em que . A linha horizontal está na altura ; onde ela encontra a curva, a abscissa é . A curva até sobe um pouco antes de descer: o teorema não exige que a função seja crescente ou decrescente.

Gráfico de uma função contínua em \([a,b]\): a altura \(d\), situada entre \(f(a)\) e \(f(b)\), é atingida em pelo menos um ponto \(c\) do intervalo.

Quando está estritamente entre os valores das extremidades, podemos afirmar que . Se coincide com ou , a conclusão continua verdadeira, mas o ponto garantido pode ser a própria extremidade.

Para procurar uma raiz, queremos . Portanto, a forma mais usada do TVI diz:

Se é contínua em e e têm sinais opostos, existe pelo menos um tal que .

Os sinais opostos asseguram que zero está estritamente entre os valores das extremidades. A continuidade assegura que esse valor intermediário é de fato atingido.


Como escrever uma prova de existência

Considere a equação

Em vez de tentar encontrar sua raiz por uma fórmula, definimos e examinamos o intervalo . Como é polinomial, é contínua em todo esse intervalo. Além disso,

Temos agora todas as peças da justificativa: é contínua em , e zero está entre e . Pelo TVI, existe tal que . Em outras palavras, tem pelo menos uma solução entre e .

Repare na diferença entre as duas tarefas: provamos que a solução existe e está localizada em um intervalo, mas não calculamos seu valor. Uma justificativa pelo TVI deve deixar explícitos a função, o intervalo, a continuidade, os valores nas extremidades e a conclusão. Apenas escrever “a função muda de sinal” omite a hipótese decisiva de continuidade.

Veja mais duas aplicações no vídeo. A primeira percorre uma prova de existência; a segunda mostra como intervalos menores podem revelar raízes que os sinais das extremidades do intervalo maior não evidenciam.

O Teorema do Valor Intermediário | Cálculo 1

A continuação do vídeo da Matemateca aplica o TVI a uma equação cúbica e depois investiga uma equação quadrática em busca de duas soluções.

Assista a uma raiz, prestando atenção à verificação dos sinais nas extremidades. Depois, em duas raízes, observe por que avaliar um ponto interno permite dividir o intervalo original em dois intervalos úteis.

O mesmo cuidado aparece em uma aplicação escrita do Repositório da UNESP. Nela, o intervalo onde se quer garantir a raiz já foi especificado; por isso, é preciso verificar os sinais nesse intervalo, não em outro escolhido por conveniência.

000789180.pdf

No PDF disponível no Repositório da UNESP, leia uma solução curta que aplica o Teorema de Bolzano, nome dado ali ao caso do TVI usado para garantir raízes.

Na Seção 3.1, “Soluções”, localize a Solução 3, na página impressa 47. Ela começa com “Considere a função” seguida de x^5+x+1 e termina explicando por que foram usados os extremos -1 e 0. Leia a solução inteira; ao acompanhar a justificativa, identifique separadamente a continuidade, os sinais nas extremidades e o intervalo ao qual a conclusão se refere.


O alcance — e os limites — da garantia

O TVI fornece uma condição suficiente para haver uma raiz, não um teste que detecta todas as raízes. Considere em . Temos : os valores nas extremidades têm o mesmo sinal, então esse par de valores não permite aplicar o caso das raízes do TVI. Isso não significa que não haja raízes. Como , podemos aplicar o teorema separadamente em e , garantindo uma raiz em cada intervalo. De fato, elas são e .

A mudança de sinal também não garante uma raiz única. A função é contínua, com e , mas possui três raízes no intervalo: , e . A conclusão do teorema é sempre “pelo menos uma”.

Por fim, sinais opostos sem continuidade não bastam. Defina

Embora e , não existe para o qual . O salto em , estudado na lição anterior, permite que a função passe de valores negativos a positivos sem assumir os valores intermediários. Tampouco se deve aplicar o TVI em um intervalo que contenha um ponto onde a função não está definida.

Se uma extremidade já satisfaz ou , a raiz já foi encontrada ali: não é necessário usar a versão de sinais opostos para justificá-la.


Por que a continuidade é tão importante?

Há uma maneira de compreender o TVI que vai além do desenho. Suponha . Divida ao meio. Se a função valer zero no ponto médio, encontramos a raiz. Caso contrário, conserve a metade cujas extremidades ainda apresentam sinais opostos e repita o procedimento.

Se nenhuma etapa encontrar zero exatamente, obtemos intervalos encaixados cada vez menores. Seus comprimentos tendem a zero, e suas extremidades se aproximam de um mesmo ponto . Em cada intervalo conservado, o valor da função na extremidade esquerda é negativo e na direita é positivo. Pela continuidade em , os valores da função nessas duas sequências de extremidades se aproximam ambos de . Esse mesmo número não pode ser positivo, pois é limite de valores negativos; nem pode ser negativo, pois também é limite de valores positivos. Logo, .

Esse argumento esclarece o papel da continuidade: ela permite relacionar os valores observados em pontos cada vez mais próximos com o valor assumido no ponto para o qual eles convergem. Ele também explica por que a garantia é de existência, mesmo quando não conhecemos uma expressão exata para .


Para guardar

Para justificar a existência de uma raiz pelo TVI, escolha um intervalo fechado, verifique que a função é contínua em todo ele e calcule os valores nas extremidades. Se esses valores tiverem sinais opostos, conclua que existe pelo menos uma raiz entre as extremidades. Sinais iguais não descartam raízes; sinais opostos não asseguram unicidade; e sem continuidade a conclusão pode falhar.

Na próxima lição, passaremos de uma garantia sobre valores assumidos por uma função contínua à derivada, que descreve como seus valores variam localmente.

Can't find a good explanation? Sign up and we'll make it for you

Sign up