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Olá! Na lição anterior, você calculou derivadas diretamente pelo limite do quociente de diferenças. Agora usaremos essa mesma definição para provar um resultado sobre funções: se tem derivada em um ponto , então é contínua em .
A questão central não é apenas reconhecer que uma curva com tangente costuma parecer «sem interrupções». Queremos descobrir exatamente por que a existência de um limite — o da derivada — garante a existência de outro — o da continuidade.
Dois limites, duas exigências
Vamos considerar como um ponto interior do domínio de , de modo que possamos nos aproximar dele pelos dois lados. Dizer que é diferenciável em significa que o limite
existe e é um número real finito. O numerador mede a variação da função; o denominador, a variação da entrada. A derivada é o limite da razão entre essas duas variações.
Já a continuidade em exige que os valores da função se aproximem do valor que ela efetivamente assume no ponto:
Como é constante em relação a , podemos escrever a mesma exigência em termos da variação da função:
Essa segunda forma revela o caminho da prova. A hipótese nos dá informação sobre a razão entre as variações; precisamos concluir algo sobre a variação de , sem o denominador.
No vídeo Proof: Differentiability implies continuity, da Khan Academy, observe primeiro a condição de continuidade e depois a demonstração. A explicação é em inglês, mas a passagem algébrica que interessa é a mesma que desenvolveremos abaixo.
Proof: Differentiability implies continuity | Derivative rules | AP Calculus AB | Khan Academy
No vídeo da Khan Academy, acompanhe como a existência da derivada é usada para estabelecer a continuidade no mesmo ponto.
Veja a continuidade para identificar o limite que precisa ser provado. Depois, vá a a demonstração: acompanhe a reescrita de f(x)-f(c) como produto e observe por que é importante que a derivada seja um número real.
A demonstração: recuperar a variação da função
Suponha que seja diferenciável em e chame sua derivada de . Assim,
Para todo suficientemente próximo de zero, vale a identidade
Ela é simples, mas faz todo o trabalho: expressa a variação de como o produto do incremento pelo quociente que aparece na definição de derivada. Como os dois fatores têm limites finitos, podemos aplicar a propriedade do limite de um produto:
Era exatamente o que faltava demonstrar. Somando , que não depende de , obtemos
Portanto, é contínua em .
Note dois cuidados lógicos. Primeiro, a identidade usada na prova vale para ; não dividimos por zero. Isso basta, pois um limite examina valores próximos de zero, não o valor da expressão em zero. Segundo, não presumimos de início que tinha limite. Nós o obtivemos a partir da existência da derivada e das propriedades dos limites.
A finitude de também não é um detalhe decorativo. O passo é válido porque é um número real. Uma razão que cresça sem limite quando se aproxima de zero não satisfaz a hipótese de diferenciabilidade usada aqui.
Por que a prova funciona: uma leitura mais precisa
Há outra maneira de enxergar o argumento. Se os quocientes
se aproximam de um número real , eles permanecem limitados quando está suficientemente perto de zero. Em particular, existe algum número tal que, para todo suficientemente pequeno,
Multiplicando por , chegamos a
O lado direito se aproxima de zero com . Logo, a distância entre e também precisa se aproximar de zero.
Essa leitura destaca a força da hipótese. Ter derivada finita controla a variação da função perto do ponto: ela não pode manter uma diferença de altura apreciável enquanto o incremento horizontal se torna arbitrariamente pequeno. A prova por produto de limites é mais curta; a desigualdade explicita o motivo pelo qual ela funciona.
Se quisermos expressar o último passo na linguagem formal da continuidade, dado qualquer , basta tomar suficientemente pequeno para que . Então . Ambas as demonstrações chegam à mesma conclusão, uma pelas leis dos limites e a outra por uma estimativa.
O que o teorema permite concluir — e o que não permite
Da afirmação «diferenciável implica contínua» decorre uma ferramenta útil: se é descontínua em , então não é diferenciável em . É a contrapositiva do teorema. Muitas vezes, verificar uma descontinuidade é mais rápido do que tentar calcular um quociente de diferenças.
A imagem ilustra situações em que o gráfico não é contínuo no ponto assinalado.

A conclusão não vale no sentido inverso. Considere em . A função é contínua, pois se aproxima de quando . Entretanto, seu quociente de diferenças é
As aproximações pela esquerda e pela direita dão resultados diferentes. Por isso, não existe, apesar da continuidade. O exemplo separa claramente as exigências: para ser contínua, a variação da função deve tender a zero; para ser diferenciável, a razão dessa variação pelo incremento deve tender a um único número real.
Para guardar
A prova cabe em uma identidade, válida para :
Se a derivada em existe e é finita, o quociente à direita tende a , enquanto tende a zero. A variação de tende, portanto, a zero: diferenciabilidade em implica continuidade em .
A recíproca é falsa, como mostra em zero. Na próxima lição, essa distinção guiará a identificação, por fórmulas e gráficos, de pontos onde uma função deixa de ser diferenciável.