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Identificação de Pontos de Não Diferenciabilidade

Olá! Na lição anterior, você demonstrou que diferenciabilidade implica continuidade e viu um exemplo da recíproca falsa: é contínua em zero, mas não tem derivada ali. Agora vamos transformar essas ideias em um método para identificar pontos de não diferenciabilidade, tanto em gráficos quanto em fórmulas.

A pergunta decisiva será sempre a mesma: quando nos aproximamos de um ponto, as inclinações das secantes convergem para um único número real finito? O gráfico ajuda a localizar os pontos suspeitos; o quociente de diferenças permite explicar o que acontece neles.


Ler o gráfico sem perder a definição

Em um ponto interior do domínio, procuramos o limite

Há três sinais gráficos frequentes de que esse limite pode falhar: uma interrupção no gráfico, uma ponta onde as inclinações dos dois lados não concordam, ou uma tangente vertical. A imagem reúne essas situações.

Da esquerda para a direita: uma ponta, uma descontinuidade e uma tangente vertical no ponto assinalado por \(a\). Cada desenho sugere uma razão distinta para a inexistência de uma derivada finita.

O sinal visual é um começo, não a justificativa completa. Uma descontinuidade já resolve a questão pelo teorema da lição anterior: se não é contínua em , não pode ser diferenciável em . Em uma ponta, a função pode ser contínua, mas as inclinações vistas da esquerda e da direita não chegam ao mesmo valor. Em uma tangente vertical, a inclinação não se aproxima de um número finito. Uma tangente horizontal, em contraste, não causa problema: sua inclinação é zero.

Assista aos trechos selecionados de Differentiability at a point: graphical, da Khan Academy. A narração é em inglês; acompanhe sobretudo o movimento das inclinações no desenho.

Differentiability at a point: graphical | Derivatives introduction | AP Calculus AB | Khan Academy

O vídeo da Khan Academy mostra como reconhecer, em um gráfico, tangentes verticais, interrupções e mudanças bruscas de inclinação.

Em tangentes verticais, compare a tangente vertical com as tangentes horizontais mencionadas pelo apresentador. Passe a pontas para observar a diferença entre as inclinações dos dois lados. Por fim, em um gráfico completo, acompanhe como ele procura os pontos problemáticos sem marcar como problema todo ponto em que a curva simplesmente muda de direção.

Um canto e uma cúspide podem parecer semelhantes em um desenho pequeno, embora tenham comportamentos de inclinação diferentes. A leitura a seguir permite compará-los e rever os demais sinais gráficos.

12.4 Derivatives - Precalculus 2e | OpenStax

Leia este trecho da OpenStax para relacionar o aspecto do gráfico às diferentes maneiras pelas quais a derivada pode deixar de existir.

Na subseção “Finding Points Where a Function’s Derivative Does Not Exist”, logo após “Try It #7”, leia o trecho do zoom até a descrição da Figura 10: observe por que ampliar o gráfico não elimina um canto. Na mesma subseção, comece na pergunta sobre as características de um gráfico não diferenciável e leia os primeiros casos até a Figura 12. Depois, a partir da explicação da Figura 13, leia cúspide e tangente, passando pela Figura 14 e terminando na lista numerada da subseção “Differentiability”. Concentre-se no que ocorre com as inclinações, não apenas nos nomes das formas.


Confirmar os pontos suspeitos pela fórmula

Quando a função é dada por uma expressão, o primeiro cuidado é verificar se ela está definida no ponto. Depois, verifique a continuidade. Se ela passar por esses dois testes, compare os limites laterais do mesmo quociente de diferenças:

Para existir , esses limites precisam existir, ser finitos e ser iguais. Isso explica precisamente o canto de em zero, já examinado na lição anterior: as inclinações laterais são e .

A comparação é especialmente útil em funções definidas por partes. Considere

As duas expressões se aproximam de quando se aproxima de , portanto é contínua nesse ponto. Mas, se , usamos o primeiro ramo:

Se , usamos o segundo:

Os ramos se encontram em altura, mas não em inclinação. Assim, não é diferenciável em . Note que uma mudança de fórmula, por si só, não bastaria para concluir isso: se o ramo da direita fosse , os limites laterais do quociente seriam ambos , e a derivada existiria no ponto de junção.

Essa distinção orienta a inspeção de qualquer fórmula por partes: primeiro pergunte se os valores se encontram; só então pergunte se as inclinações se encontram.


Inclinações que crescem sem limite

A falta de derivada nem sempre produz um canto. Tome

Seu gráfico é contínuo em zero e ali apresenta uma tangente vertical. O quociente de diferenças mostra por quê:

Quando se aproxima de zero por qualquer lado, esse quociente cresce sem limite. Dizemos que as inclinações tendem a , não que : a derivada, na definição que usamos, precisa ser um número real finito.

Uma cúspide também pode ter inclinações de magnitude cada vez maior, mas com sentidos opostos nos dois lados. Por exemplo, para , em zero,

Pela direita, o quociente tende a ; pela esquerda, a . Tanto a tangente vertical de quanto a cúspide de impedem uma derivada finita, embora o comportamento lateral não seja o mesmo.

Há ainda um motivo que um desenho pode esconder: as inclinações podem oscilar em vez de convergir ou crescer sem limite. Defina

Como , a função é contínua em zero. No entanto,

que assume valores próximos de e de arbitrariamente perto de . Não há limite para o quociente. Esse exemplo mostra por que descontinuidade, canto, cúspide e tangente vertical são padrões úteis de reconhecimento, mas não substituem a definição.


Um procedimento para gráficos e fórmulas

Ao analisar uma função, comece pelos candidatos: pontos de junção entre fórmulas, valores absolutos, raízes que possam gerar inclinações muito grandes e lugares onde o gráfico parece interrompido ou pontiagudo. Em seguida, faça as verificações nesta ordem:

  1. Domínio e continuidade. Se não está definido, não há derivada em . Se está definida, mas é descontínua em , o teorema anterior já garante a não diferenciabilidade.
  2. Inclinações laterais. Se a função é contínua, compare os quocientes de diferenças pela esquerda e pela direita. Limites finitos distintos indicam um canto; inclinações sem limite finito podem indicar uma cúspide ou tangente vertical.
  3. Existência de um limite único. Mesmo sem um desses desenhos reconhecíveis, confirme que o quociente converge. Uma aparência suave na escala de um gráfico não prova diferenciabilidade.

Estamos tratando aqui de pontos interiores do domínio, onde é possível aproximar-se pelos dois lados. Em uma extremidade do domínio, pode-se estudar uma derivada lateral, mas ela não é o limite bilateral usado nesta lição. E, se uma fórmula como não define função em , convém dizer precisamente que a função não está definida ali, em vez de tratar zero como um ponto do seu gráfico com uma tangente problemática.


Para guardar

Identificar a não diferenciabilidade é investigar por que o quociente de diferenças não chega a um único valor real finito. A descontinuidade exclui imediatamente a derivada; um canto produz inclinações laterais finitas e diferentes; cúspides e tangentes verticais envolvem inclinações sem limite finito; oscilações também podem impedir a convergência.

Com esse diagnóstico em mãos, você já sabe onde uma derivada exige atenção especial. No próximo módulo, começaremos a calcular derivadas com regras mais eficientes, sem esquecer que uma fórmula de derivação aplicada em cada ramo não decide, sozinha, o que ocorre em um ponto de junção.

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