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Olá! Começamos o curso por uma pergunta que reaparecerá nas derivadas e nas integrais: o que uma função faz quando a variável se aproxima de um ponto? Nesta lição, você aprenderá a calcular essa aproximação separadamente pela esquerda e pela direita e a reconhecer quando os valores da função crescem ou diminuem sem limite.
Ao final, a ideia é que você consiga interpretar um gráfico, escolher a expressão correta de uma função definida por partes e determinar o sinal de um limite infinito — sem confundir nenhum desses comportamentos com o valor da função no ponto.
Aproximar-se não é chegar
Quando escrevemos , investigamos para valores de próximos de , mas diferentes de . Há duas maneiras de fazer essa aproximação:
O sinal sobrescrito indica o lado pelo qual se aproxima. Não indica se é positivo ou negativo. Por exemplo, aproximar-se de pela esquerda significa usar valores como , e ; pela direita, valores como , e .
Comece observando como essa distinção aparece em um gráfico:
LIMITES LATERAIS: Resolvendo Exercícios + Limites com Módulo | Cálculo
Assista ao trecho inicial de “LIMITES LATERAIS: Resolvendo Exercícios + Limites com Módulo | Cálculo”, do canal Matemateca — Ester Velasquez. Ele mostra como seguir cada lado de um gráfico até o ponto de aproximação.
Assista a limites no gráfico. Observe qual parte da curva corresponde a cada lado do ponto e por que dois valores de chegada diferentes impedem a existência de um limite bilateral finito.
Se os dois lados se aproximam do mesmo número , então o limite bilateral existe e vale :
Aqui supomos que há pontos do domínio arbitrariamente próximos de dos dois lados. Se os limites laterais são números diferentes, não existe limite bilateral. O valor isolado , por sua vez, não decide essa questão: ele pode ser igual ao limite, diferente dele ou nem estar definido.
O Exemplo 1 da leitura a seguir ajuda a separar visualmente essas três informações.
Leia o Exemplo 1 do material do Portal da OBM, de Antonio Caminha M. Neto, para comparar limites laterais, limite bilateral e valor da função no ponto.
Na seção “1 Alguns exercícios”, Exemplo 1 (pp. 1–2), comece no primeiro parágrafo da Solução e leia a análise do gráfico até o fim do exemplo. Concentre-se nos pontos em que há bolinhas abertas ou valores definidos separadamente; em cada caso, distinga o lugar para onde a curva se aproxima do ponto que pertence ao gráfico.
Uma função por partes: qual expressão usar?
Na imagem abaixo, a regra da função muda em . Esse é precisamente o lugar em que precisamos examinar cada lado por conta própria.

A definição algébrica é
Pela esquerda, os valores próximos de satisfazem , portanto pertencem ao trecho . Como essa expressão é um polinômio, podemos avaliar o valor para o qual ela se aproxima substituindo por :
Pela direita, usamos o outro trecho, mesmo que a condição não inclua o próprio :
Os limites laterais são diferentes. Logo, não existe. Já , pois a primeira condição inclui . Note a diferença entre as perguntas: para calcular , verificamos qual regra vale no ponto; para calcular um limite lateral, verificamos qual regra vale perto do ponto, do lado pedido.
Quando a aproximação não leva a um número
Um limite lateral pode não tender a um valor finito. Considere
Quando se aproxima de pela direita, é positivo e cada vez menor. Seu recíproco assume valores positivos cada vez maiores:
Pela esquerda, é negativo e cada vez mais próximo de zero. O recíproco assume valores negativos com magnitude cada vez maior:
Escrever ou descreve um comportamento, não um número real que a função alcança. No primeiro caso, ultrapassa qualquer valor positivo escolhido se tomarmos suficientemente próximo de ; no segundo, fica abaixo de qualquer valor negativo escolhido se tomarmos suficientemente próximo. Em particular, não está definido, mas isso não impede que seus limites laterais sejam descritos.
Veja agora uma análise em vídeo do sinal do denominador:
LIMITES LATERAIS: Resolvendo Exercícios + Limites com Módulo | Cálculo
Retome o vídeo “LIMITES LATERAIS: Resolvendo Exercícios + Limites com Módulo | Cálculo”, da Matemateca — Ester Velasquez, desta vez no trecho dedicado a limites infinitos.
Assista a limites infinitos. Acompanhe separadamente o sinal do numerador e o sinal com que o denominador se aproxima de zero; é a combinação dos dois que determina se os valores sobem para +\infty ou descem para -\infty.
Se ao menos um dos limites laterais de em é ou , dizemos que a reta é uma assíntota vertical do gráfico. No exemplo de , é uma assíntota vertical. Como os comportamentos à esquerda e à direita têm sinais opostos, não há um limite bilateral único em .
Um método confiável para calcular o sinal
Em uma fração cujo denominador se aproxima de zero, não basta dizer “o denominador zera, então o limite é infinito”. Primeiro é preciso examinar o numerador e os sinais em cada lado.
Compare com
O quadrado é positivo tanto para quanto para , desde que . À medida que se aproxima de , esse denominador positivo se torna tão pequeno quanto quisermos. Portanto,
Nesse caso, também podemos escrever : ambos os lados têm o mesmo comportamento infinito. Isso não significa que exista um limite bilateral finito.
Uma forma precisa de enxergar a afirmação é escolher qualquer altura . Se e
então . Ou seja, podemos fazer ultrapassar qualquer altura aproximando suficientemente de .
Para frações desse tipo, use a seguinte ordem de raciocínio:
- Observe o numerador perto do ponto. Se ele se aproxima de um número diferente de zero, determine seu sinal.
- Observe o denominador em cada lado. Um fator como troca de sinal ao atravessar ; permanece positivo.
- Combine os sinais. Uma fração positiva cuja magnitude cresce sem limite tende a ; uma negativa cuja magnitude cresce sem limite tende a .
Há uma ressalva importante: se numerador e denominador tendem a zero, essa análise, sozinha, não determina o limite. Por exemplo, para todo , apesar de ambas as partes tenderem a zero. Trataremos sistematicamente dessas formas indeterminadas na próxima lição.
Por fim, não confunda limite infinito perto de um ponto, como com , com uma pergunta sobre o comportamento quando . Nesta lição, o ponto de aproximação de foi finito; quem cresceu sem limite foram os valores da função.
Para guardar
Um limite lateral acompanha a função apenas de um lado do ponto; o sinal sobrescrito pertence à aproximação de . Um limite bilateral finito existe quando os dois limites laterais são o mesmo número, independentemente do valor da função no próprio ponto. Se os valores crescem ou diminuem sem limite, usamos ou para registrar esse comportamento e, em frações, determinamos o sinal examinando numerador e denominador em cada lado.
Na próxima lição, esse cuidado com o que acontece perto do ponto será essencial para resolver limites em que a substituição direta produz uma forma indeterminada.