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Fecundação, Clivagem, Blastocisto e Implantação

Olá! Na lição anterior, separamos duas escalas de tempo: a idade gestacional, usada no pré-natal, e o tempo desde a fecundação, geralmente cerca de duas semanas menor. Agora vamos usar a segunda escala para acompanhar a primeira semana de desenvolvimento. O objetivo é entender como uma única célula dá origem a um blastocisto capaz de se implantar no útero — e por que fecundação e implantação não são o mesmo acontecimento.


A fecundação forma o zigoto

Após a ovulação, o oócito é captado pela tuba uterina. A fecundação normalmente ocorre na porção mais distante da tuba, antes que o material em desenvolvimento chegue ao útero. Um espermatozoide atravessa as camadas que envolvem o oócito e se funde à sua membrana. O oócito então completa sua divisão celular final, e o material genético de ambos participa da formação do zigoto, a primeira célula desse desenvolvimento.

Assista ao início de Human fertilization and early development, da Khan Academy. O vídeo oferece uma referência visual para as células e para a contribuição genética de cada gameta.

Human fertilization and early development | High school biology | Khan Academy

Assista a Human fertilization and early development, da Khan Academy, para visualizar a fecundação e a formação do zigoto.

Veja a fecundação, do encontro entre as células até a imagem do zigoto. Concentre-se na distinção entre gametas, que normalmente carregam 23 cromossomos cada, e zigoto, que normalmente reúne 46. O vídeo usa a palavra inglesa egg de modo amplo; aqui, chamamos de oócito a célula liberada na ovulação.

A fecundação não ocorre em um único instante indivisível: contato e fusão das células, conclusão da divisão do oócito e organização do material genético levam algum tempo. Para acompanhar a sequência, porém, podemos tomar a formação do zigoto como o início aproximado do dia 0 após a fecundação. Na convenção clínica revista anteriormente, isso corresponderia a cerca de duas semanas de idade gestacional, não a zero semanas.


Clivagem: mais células, sem crescimento proporcional

Enquanto percorre a tuba em direção ao útero, o zigoto começa a se dividir por mitose. Essas divisões iniciais recebem o nome de clivagem. Primeiro aparecem duas células, depois quatro, oito e assim por diante. Cada célula produzida é um blastômero.

O aspecto decisivo é que, nessa fase inicial, o número de células aumenta muito mais do que o volume total. As divisões repartem o conteúdo inicial entre células progressivamente menores, ainda envolvidas por uma camada protetora chamada zona pelúcida. Clivagem, portanto, não é simplesmente um pequeno feto crescendo: é a multiplicação e a reorganização das células que estabelecerão as estruturas seguintes.

Por volta do terceiro ou quarto dia após a fecundação, o conjunto celular se torna mais compacto e recebe o nome de mórula, por sua aparência de pequena massa sólida. Ela costuma ser descrita com aproximadamente 16 células, mas esse número é uma referência de estágio, não uma contagem que precise ser idêntica em todo caso.

A imagem abaixo situa essas mudanças no trajeto entre a tuba e o útero. Leia os dias indicados como aproximações após a fecundação, não como datas exatas que se possam deduzir de um ultrassom posterior.

Trajeto do oócito e das estruturas formadas após a fecundação: as divisões celulares ocorrem durante o deslocamento pela tuba; o blastocisto se forma e inicia a implantação no útero.

Da mórula ao blastocisto

A mórula não permanece uma esfera sólida. Suas células se organizam, e líquido se acumula em uma cavidade interna chamada blastocele. A estrutura passa então a ser chamada de blastocisto. O nome marca uma mudança de organização, não apenas mais uma divisão celular.

Leia a seção Pre-implantation Embryonic Development, de Anatomy and Physiology 2e, da OpenStax. Ela conecta a clivagem à formação da mórula e do blastocisto.

28.2 Embryonic Development - Anatomy and Physiology 2e | OpenStax

Leia a seção “Pre-implantation Embryonic Development”, da OpenStax, para acompanhar como as divisões levam a uma estrutura com cavidade e grupos celulares distintos.

Na subseção “Pre-implantation Embryonic Development”, leia a sequência inicial, desde o deslocamento pela tuba até a descrição das células externas do blastocisto. Observe especialmente por que a clivagem não aumenta de imediato o volume total e como surgem a mórula, a blastocele e a massa celular interna. Depois, salte o parágrafo que começa “The inner mass of embryonic cells is totipotent during this stage” e leia a saída da zona pelúcida, no último parágrafo antes de “Interactive Link”. O parágrafo omitido simplifica indevidamente a capacidade de diferenciação das células da massa interna; essa classificação não é necessária aqui.

No blastocisto, três componentes ajudam a entender o que virá a seguir:

  • A massa celular interna é o grupo de células do qual se desenvolverá o embrião propriamente dito.
  • O trofoblasto é a camada externa de células; participa da implantação e contribuirá para estruturas de suporte, inclusive a porção fetal da placenta.
  • A blastocele é a cavidade preenchida por líquido.

Observe esses componentes no detalhe do blastocisto na imagem seguinte. A distinção importante, por enquanto, é entre as células internas associadas à formação do embrião e as células externas envolvidas no contato com o útero.

Detalhe das divisões iniciais, da mórula e do blastocisto. No blastocisto ampliado, a camada externa é o trofoblasto, o agrupamento de células em um dos lados é a massa celular interna e o espaço preenchido por líquido é a blastocele.

A zona pelúcida que envolvia as etapas anteriores precisa deixar de cercar o blastocisto antes de sua fixação ao revestimento uterino. A saída dessa camada é chamada de eclosão (hatching). É uma transição funcional: agora as células externas podem entrar em contato direto com o endométrio, o tecido que reveste internamente o útero.


Implantação: adesão seguida de inserção no endométrio

Perto do fim da primeira semana após a fecundação, o blastocisto começa a aderir ao endométrio. Essa adesão inicia a implantação; nos dias seguintes, células do trofoblasto participam de sua inserção no tecido endometrial. Assim, a implantação é um processo, não um ponto único no calendário. Costuma começar aproximadamente entre os dias 6 e 7 após a fecundação e se completar durante a segunda semana.

Leia agora a subseção Implantation da mesma página da OpenStax. Desta vez, acompanhe o que acontece depois que o blastocisto sai da zona pelúcida.

28.2 Embryonic Development - Anatomy and Physiology 2e | OpenStax

Na subseção “Implantation”, a OpenStax descreve a adesão ao endométrio, a atuação do trofoblasto e o início da produção de hCG.

Na subseção “Implantation”, leia o início da implantação, no primeiro parágrafo. Depois, passe ao parágrafo que começa “When implantation succeeds” e leia a continuação do processo. Foque na diferença entre aderir e se inserir no endométrio e na ligação entre o trofoblasto e a produção de hCG; não é necessário memorizar os nomes de todas as suas camadas.

À medida que a implantação progride, o trofoblasto produz hCG, hormônio cuja presença pode ser detectada por testes de gravidez. Essa ligação explica por que um teste feito cedo demais pode ser negativo mesmo quando houve fecundação: formar um zigoto, implantar-se e produzir hCG detectável são etapas distintas. O momento em que um teste se torna positivo também depende do teste utilizado e do tempo decorrido; a sequência biológica não permite prever uma data individual exata.

Há, portanto, uma mudança de lugar e de estrutura ao mesmo tempo. A fecundação ocorre habitualmente na tuba; as primeiras divisões acontecem durante o trajeto; o blastocisto alcança a cavidade uterina; e a implantação ocorre no endométrio. As datas aproximadas ajudam a ordenar os eventos, mas não devem ser usadas como uma agenda rígida de uma gestação específica.


O que guardar desta sequência

Nas primeiras duas semanas após a fecundação, o desenvolvimento passa por quatro marcos encadeados: zigoto, clivagem e mórula, blastocisto, implantação. A clivagem multiplica células sem aumento proporcional imediato do volume; a formação do blastocisto estabelece uma cavidade e distingue grupos celulares; a saída da zona pelúcida permite o contato com o endométrio; e a implantação começa com a adesão e continua com a inserção nesse tecido.

Na próxima lição, partiremos da estrutura já implantada para estudar como surgem os três folhetos embrionários, que darão origem aos principais tecidos e órgãos.

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